Caritas com o programa do PROAT vem transformando a vida de muitas famílias em Bauru

Acostumado a atender pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, serviço tem crescente procura de usuários com maior nível de escolaridade.

O desemprego vem mudando o perfil das famílias que pedem auxílio ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras), em Bauru. Antes estruturadas, algumas pessoas passaram a recorrer ao serviço pela primeira vez. A procura também cresceu. Para se ter uma ideia, entre dezembro de 2017 e março de 2018, o Programa de Orientação e Acesso ao Trabalho (PROAT), programa assistencial da Caritas Bauru, vinculado ao Cras, atendeu 677 pessoas, 30% a mais do que no mesmo período do ano anterior. 

Segundo a diretora do Departamento de Proteção Social Básica da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social (Sebes), Ana Sales, o PROAT / Cras costuma atender famílias em situação de extrema vulnerabilidade social, mas, nos últimos meses, houve uma crescente de usuários com maior nível de escolaridade e que nunca tinham recorrido ao serviço.

“Muitos novos usuários tinham uma renda certa todo mês, porém, perderam o emprego e não viram outra alternativa a não ser procurar o Cras. É importante destacar que este não é um problema local, mas sim, nacional. O mercado formal e o informal não está absorvendo mão de obra e as empresas não conseguem se manter, refletindo diretamente na renda das famílias”, argumenta.

Esse é o caso da técnica de enfermagem Terezinha de Jesus Aquino, de 53 anos, que estava desempregada há três anos. No final do ano anterior, a mulher recorreu ao PROAT, vinculado ao Cras, pela primeira vez, porque não encontrava trabalho e tem três filhos para sustentar.

“A gota d’água foi que um dos meus filhos virou pai solteiro e criaria a criança em casa. Procurei o PROAT/Cras e, hoje, ganho Bolsa Família, além de fazer um curso gratuito para consertar motor de carros, no Senai. Até agora, não encontrei emprego, mas existe uma perspectiva, não me deixaram na mão”, relatou, no início deste mês.

Assim como Terezinha, outros novos usuários do serviço já tinham uma profissão, mas sentiram necessidade de fazer outro curso e, até mesmo, mudar de área, com o intuito de se recolocar no mercado de trabalho.

E a função do PROAT é, justamente, constatar a realidade do mercado e fazer com que as capacitações estejam voltadas a ela. “A situação pode ser momentânea e, por isso, vamos esperar mais um pouco antes de alterar a nossa programação dos cursos, que, atualmente, têm foco nas áreas de alimentação, costura e administração”, reforça Ana Sales.

Outras mudanças

Das 677 pessoas atendidas pelo PROAT nos últimos três meses, 49% são homens e 51%, do sexo feminino. Anteriormente, a maioria das famílias era chefiada por mulheres, fato que justificava a maior procura delas pelo serviço. Porém, agora, a demanda está equilibrada. “Antes estruturadas, com pai, mãe e filhos, as famílias passaram a recorrer ao Cras pela primeira vez”, justifica a diretora da Sebes.

Já a faixa etária dos novos usuários é de 16 a 59 anos. Do total, 42% têm o Ensino Médio completo e 4% até concluiu o Ensino Superior.

Como proceder?

De acordo com Ana Sales, o recomendado é procurar o Cras da região mais próxima da residência do interessado. O órgão, então, faz o encaminhamento necessário para melhor atendê-lo. “Se estiver sem renda, pode entrar no CadÚnico e receber algum benefício, como o Bolsa Família”.

Se alguém tiver dúvida, basta entrar em contato com a Caritas pelo telefone (14) 3223-6576, no endereço Rua Azarias Leite, 9-80, ou a Sebes através do (14) 3214-3796, que funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

 

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